Desde pequena que me amas um bocadinho mais todos os dias. Eu aprendi a amar-te também, um pouquinho de cada vez.
Ver-te desta maneira, com o olhar perdido no vazio, sem forças sequer para me ensinares como se faz aquele pudim francês maravilhoso que só tu sabes fazer.
Sentir que estás mesmo sentada no sofá ao meu lado mas sempre a repetir coisas não relacionadas.
Agora que estou mais por casa é que reparo na deterioração do teu estado mental.
Ontem foi dia de teimar nas horas : "Mas o teu pai pôs o despertador. A hora está mal e não tocou de noite pois não?".
Hoje são as cores. "Eles na televisão têm que cores?... branco, branco, azul e preto não tem?".
O que posso fazer por ti?
Eu estarei aqui, Avó.