terça-feira, agosto 31, 2010

(Para ele) Outra vez


Houve uma altura em que isto fez sentido:

"Eu não serei o circo em que és a estrela.
Eu não te vou dar carinho para o ver morrer.
Tu não vais ser a dor de cabeça que me mantém acordada.
Tu não vais ser os textos que eu nunca irei escrever.
Eu não serei a fortaleza onde te irás refugiar.
Eu não serei a primeira a quem pensarás ligar.
Tu não vais ser os arrependimentos com que eu não vou conseguir viver.
Tu não vais ser o único que nada vai ter de perder.

Quando estivermos sozinhos e assustados, iremos dizer a nós próprios que somos apenas um pedaço do mundo que precisavamos o tempo todo.

Porque eu não quero ficar, eu não quero cair.
Eu não quero ter de te ver deixares-me.
Eu não quero ficar com nada, eu não quero perder tudo.
Talvez eu seja uma falsificação, talvez tu sejas uma mentira.
Talvez a nossa última oportunidade foi ontem à noite.
Talvez não tenha de me cruzar novamente contigo.
Talvez seja bom estares com ela. 

Porque eu não quero ficar.
Eu não quero apaixonar-me.
Por ti outra vez.
Por ti mais uma vez."

Apenas um rabisco que encontrei num diário perdido numa gaveta, coberto de pó. Um pequeno rabisco escrito com raiva, tristeza, traição, dor e principalmente amor. 

2 comentários:

o mesmo de sempre disse...

Ora muito obrigada então :)

Francisca disse...

Gostei mesmo do que escreveste *-*